terça-feira, 16 de setembro de 2008

Coluna do Wilsom Brambilla - Atenção para esta mensagem!

Pessoal,

Um dos links do nosso blog aponta para o endereço do site do CREF São Caetano. É um endereço simples e de um site muito bem feito, atualizado constantemente, muito bem escrito, onde percebe-se claramente a intenção não só de informar, mas também de formar pessoas. Vale a pena dar uma olhada sempre que voc~es tiverem um tempinho, pois podemos aprender muito com as pessoas que fizeram daquele clube uma força no Futmesa Nacional.
Transcrevo abaixo, com a devida autorização do Brambilla é claro, um texto que ele escreveu sobre a triste história dos que abandonam o esporte muito cedo.
Vale a pena ler e aprender. Obrigado Brambilla por mais esta lição.

Perdendo o jogo
Se pararmos para pensar um pouco, onde estamos hoje e como chegamos até aqui, é provável que nos surpreendamos com uma história cheia de particularidades. Mas eu quero hoje falar sobre o Botonista. As mais variadas fases parecem - em muitos casos -serem comuns para um grande número deles.
O nascimento – criança ainda, ganha um time de botões, daqueles comprado em banca de jornal ou lojas de R$ 1.99, claro que acompanhando do velho e famoso “Estrelão” de papel.
O tempo passa e quando já começa a entender de futebol e lógico, torcedor do mesmo time de seu pai, ganha um novo Estrelão – agora de Eucatex. Mas e o time? Bem, agora tem que ser aquele comprado na loja de esportes mais famosa da cidade. E por um bom tempo vai promover campeonatos com seus amiguinhos da rua ou da escola, e vai ganhar algumas medalhas, todas elas oferecidas pelo Pai-trocinador.
Vem a fase dos jogos eletrônicos – quem não se lembra do velho Atari? – com a chegada do famoso e revolucionário Playstation. Com Fifa pra cá, Fifa pra lá, ele começa a se tornar prisioneiro em seu próprio quarto ou no quarto do amiguinho mais próximo, e os times foram para o espaço ou gaveta do quartinho, e lá ficarão por longos anos. Neste momento, algo poderá acontecer de forma diferente se seu pai for um botonista. Sim, botonista, aquele que joga botão, é botão, e é profissional, daqueles de argola, em acrílico feito lá pelo Lourival ou pelo senhor Marcelino. E a carteirnha da federação? Essa, sim faz sucesso na escola. Quanto orgulho! Na roda de amiguinhos vem a frase – eu jogo botão profissional! Esses de vocês é de criança - jogos abertos aqui, acolá, do brasileiro juvenil em tal lugar etc. etc. e tempo vai passando.
Essa é inevitável! Vem à fase das garotas. “Que botão que nada, vamos ao shopping ver as mina, mano”. Com pai botonista ou não, essa fase mostra ao adolescente uma vida diferente, as prioridades passam a ser outras e seus sentimentos de amadurecimento afloram rapidamente. Somados à escola, cursinho, inglês, futebol de salão, aula de bateria ou violão e etc... O tempo começa a ser escasso e o botão perde lugar na agenda de tantos compromissos do jovem e ainda promissor botonista. Lá se foi mais um que poderia nos ajudar a manter o esporte com saúde fundamentada na juventude e vigor de nossos garotos.
O jogo de botão, assim como o da bolinha de gude, o peão, empinar pipa e tantos outros, sofrem - por não serem mais os nossos jovens - encarados como crianças. O preconceito por acharem que o botão é jogo de criança nos tira a oportunidade de uma convivência mais duradoura e saudável. Que pena... Temos que ficar atentos, e sempre que conseguirmos uma pedra valiosa dessas, ajudá-lo a administrar seu tempo e suas prioridades.
As raridades que temos, devem ser compreendidas como tal. De outra forma continuaremos a PERDER O JOGO.

Nenhum comentário: